Brasil-Colônia
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Fases do Período do Brasil-Colonial

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 Período Pré-Colonial - O Ciclo do Pau-Brasil ( 1500 a 1530 )

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Capitanias Hereditárias: ( 1530 a 1759 ) extinção pelo Marquês de Pombal

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 O ciclo da Cana-de-Acúcar ( 1530 a 1650 )

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União das Corôas Ibéricas ( 1580 a 1640 )

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Restauração Portuguesa e a Expansão Colonizadora ( 1640 a 1700 )

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 O Ciclo da Mineração ( 1690 a 1800 )

bulletCrise do Sistema Colonial ( 1789 a 1808 )
bulletO Ciclo da Borracha
bulletGovernadores Gerais
bullet1º Governador Geral ( Tomé de Sousa 1549 - 1553)
bullet2º Governador Geral ( Duarte da Costa ( 1553 - 1558)
bullet3º Governador-Geral ( Mem de Sá  1558 - 1572)
bulletExtinção das Capitanias ( Em 1759 pelo Marquês de Pombal
bullet Vice-Reinado ( 1762 )

BRASIL COLONIAL

O Brasil ficou sob o jugo da Metrópole portuguesa de 1500 ano de seu descobrimento até a chegada de D. João VI ao Brasil em 1808 e por decreto assessorado pelo brasileiro José Maria Lisboa, Visconde de Caiuru, no dia 28 de janeiro de 1808 abriu os portos às nações amigas, derrubando três séculos de pacto colonial.

O período do Brasil-Colônia, podemos dividí-lo em três fases conforme os ciclos econômicos.

A primeira fase também chamada de período pré-colonia, foi o ciclo da madeira. Foi uma fase de exploração, a extração do pau-brasil, foi de 1500 a 1530.

A segunda fase é a do ciclo da cana de acúcar de 1530 até os anos de 1650.

A terceira fase é a do ciclo do Ouro nas Minas Gerais, fase de mineração teve início no fina do século XVII, por volta de 1690 e chegava ao final por volta do ano  de 1800. 

Este texto foi extraído da Coleção Nosso Século, volume 1;

Martim Afonso de Souza : pioneiro na colonização do Brasil

A expressão " descobrimento " do Brasil está carregada de eurocentrismo, além de desconsiderar a existência dos índios em nosso país antes da chegada dos portugueses. Portanto, optamos pelo termo "chegada" dos portugueses ao Brasil. Esta ocorreu em 22 de abril de 1500, data que inaugura a fase pré-colonial.
Neste período não houve a colonização do Brasil, pois os portugueses não se fixaram na terra. Após os primeiros contatos com os indígenas, muito bem relatados na carta de Caminha, os portugueses começaram a explorar o pau-brasil da mata Atlântica.
O pau-brasil tinha um grande valor no mercado europeu, pois sua seiva, de cor avermelhada, era muito utilizada para tingir tecidos. Para executar esta exploração, os portugueses utilizaram o escambo, ou seja, deram espelhos, apitos, chocalhos e outras bugigangas aos nativos em troca do trabalho (corte do pau-brasil e carregamento até as caravelas).
Nestes trinta anos, o Brasil foi atacado pelos holandeses, ingleses e franceses que tinham ficado de fora do Tratado de Tordesilhas (acordo entre Portugal e Espanha que dividiu as terras recém descobertas em 1494). Os corsários ou piratas também saqueavam e contrabandeavam o pau-brasil, provocando pavor no rei de Portugal. O medo da coroa portuguesa era perder o território brasileiro para um outro país. Para tentar evitar estes ataques, Portugal organizou e enviou ao Brasil as Expedições Guarda-Costas, porém com poucos resultados.
Os portugueses continuaram a exploração da madeira, construindo as feitorias no litoral que nada mais eram do que armazéns e postos de trocas com os indígenas.
No ano de 1530, o rei de Portugal organiza a primeira expedição com objetivos de colonização. Esta foi comandada por Martin Afonso de Souza e tinha como objetivos : povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil.

  A pecuária embora, seja considerada fator mais importante na economia do Brasil-Colônia, depois da cana de acúcar e da mineração pois serviu para o povoamento do Brasil e expansão do território, foi uma atividade paralela que complementava as atividades da produção do açucar e da mineração.

Durante o período colonial também o Brasil ficou sob o domínio da União das Coroas Ibéricas de 1580 a 1640, tendo como monarca o rei Felipe II da Espanha e que também dominando Portugal, devido a morte do rei de Portugal D. Sebastião que morreu na batalha de Alcácer-Quibir e não tinha filhos. A Coroa a cargo de um Cardeal seu parente mais próximo e que por sua vez também morreu. Houve  disputa e venceu o rei da Espanha Felipe II.

Durante o Período Colonial o Brasil teve três governadores gerais e o território foi dividido em 15 capitanias hereditárias ( extensões de terra que iam desde o Oceano Atlantico até o limite do meridiano das tordesilhas no interior do Brasil. Este tratado foi pactuado entre Portugal e a Espamha em 1494 para delimitar as terras descobertas. As terras a leste do meridiano eram pertencentes a Portugal e a oeste do meridiano à Espanha).

Primeiros Tempos:

1. Do Descobrimento ao Período Colonial ( 1500 - 1530)                                                                

Descobrimento do Brasil

"Pedro Álvares Cabral, então com 33 anos, saiu da praia de Restelo, em Lisboa, no dia 9 de março de 1500 e chegou ao Brasil em 22 de Abril. Vieram em dez naus (uma se perdeu no caminho) e três caravelas, trazendo um total de 1500 pessoas. Viajaram a média de 13 km/h. em 2 de maio, a expedição deixou o país e alguns homens aqui e seguiu para as Índias. Uma das naus sob a chefia de Gaspar de Lemos levou as notícias ao rei em Portugal.

A carta de Pero Vaz de Caminha tinha sete folhas e foi escrita no dia 1º de maio de 1500. João Faras, médico e cosmógrafo que fazia parte da tripulação de Cabral, também escreveu uma carta a d. Manuel I, rei de Portugal, na mesma data. Mas não conseguiu a mesma notoriedade.

Calcula-se que existiam 3 milhões de índios no Brasil em 1500".

Texto transcrito do livro o Guia dos Curiosos.
Autor: Marcelo Duarte

A expansão marítima européia liderada pelos portugueses e o desenvolvimento econômico da Europa nos fins do século XV, ocasionaram a descoberta da América por Cristovão Colombo em 1492 ; navegador genovês pela Espanha e do Brasil em 1500 por Pedro Álvares Cabral por Portugal.

Entretanto a forma como o Brasil foi descoberto, ainda é polêmica. A hipótese mais aceita é a de que Portugal procurava caminho para as Índias navegando pelo ocidente. Outra hipótese é a de que a esquadra de Cabral à caminho para as Índias contornando o Continente Africano, veio a se perder, dando-se no Brasil. Outra hipótese ainda é a de que o Brasil foi descoberto por acaso.

Portugal, entretanto, já sabia da existência de terras nesta parte do mundo, tanto que em 14944, portanto 6 anos antes da descoberta do Brasil firmou o "Tratado das Tordesilhas" com a Espanha; tratado que garantiu que todas as terras a 350 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, dali em diante pertenceriam a Portugal, inclusive boa parte do Brasil ainda não descoberto.

Inicialmente Portugal deu reduzida importância ao fato, pois voltava-se inteiramente imerso no comércio com a Ásia.

De abril de 1500 até o ano de 1530 aproximadamente o Brasil passavam pelo período de exploração.Era o Brasil visitado frequentemente por comerciantes de madeira o pau-brasil e corsários franceses que tentaram implantar núcleos de colonização.

A crise do sistema mercantilista português se acentuava ao final do século XVI e por essa época progrediam esforços para colonização do Brasil.

2. O Período Colonial

Dois fatores básicamente levaram Portugal a pensar sériamente na colonização do Brasil:

bulletdecadência do comércio com o Oriente;
bulletconstantes incursões estrangeiras no Brasil

Portugal ameaçado de perder o territórrio recém-descoberto, procurou ocupá-lo de forma efetiva, encontrando na produção de açúcar, uma forma de tornar rentável o empreendimento colonizatório.

Portugal adotou o modelo de Capitanias Hereditárias, dividiu o Brasil em 15 capitanias, dentre elas as mais importantes a da Bahia de Todos os Santos, a de Pernambuco , a de São Vicente. Inicialmente foi dado amplos poderes aos donatários, mas depois, em 1548, foi estabelecido governadores gerais representantes do rei na colônia, aos quais os donatários deveriam prestar contas.

A constituição político-administrativa das capitanias tinha por base a "Carta de Doação" , e o "Foral" obedecia ao "Pacto Colonial". Grandes empresas européias financiavam a produção e distribuição açucareira, pois Portugal não possuia capitais para investimento inicial, nem uma rede comercial de distribuição do açúcar na Europa. A unidade básica da produção da cana de açúcar é o "plantation", isto é, baseada na monocultura e no trabalho escravo.

Até o período colonial o Brasil passou por alguns ciclos econômicos: pau-brasil, o gado , a cana de açúcar, o ouro e drogas do sertão.

O Brasil teve primeiro, três Governadores-Gerais: Tomé de Souza (1549-, Duarte da Costa ( - 1558, Mem de Sá (1558-1572) e depois outros dois simultaneamente um em salvador e outro no Rio de Janeiro.

Durante o período colonial o Brasil também ficou subjulgado à Espanha com a união das coroas ibéricas tendo como Rei Felipe II da Espanha em 1580 até 1640

No período colonial, deu-se as entradas e bandeiras, pelas quais o Brasil viu expandidas suas fronteiras e ainda durante o ciclo da mineração que ocorreu a "Inconfidência Mineira" em 1792.

O objetivo da conspiração mineira era de Independência devido ao alto custo de vida, altos impostos( Derrama ), Alvará de 1785, que fechava as manufaturas locais, Revolução Francesa, Independência dos Estados Unidos e idéias iluministas.

Líderes dessa conspiração: Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto, Francisco de Paula Freire de Andrade, Joaquim José da Silva Xavier o Tiradentes e alferes e o cônego Luís Vieira da Silva.

Fato que marcou a Inconfidência Mineira foi a punição do alferes Joaquim José da Silva Xavier com a pena capital de enforcamento e esquartejamento de seu corpo no dia 21 de abril de 1792, ficando suas partes esquartejadas expostas à execração pública nas ruas de Vila Rica (hoje Ouro Preto).

Outras rebeliões ocorreram no Brasil de então: Conjuração Literária no Rio de Janeiro (1794-1795), Conjuração dos Alfaiates na Bahia na década de 1790.

Como o território brasileiro havia sido dividido em capitanias hereditárias para facilitar o povoamento da nova terra descoberta em 1500; esse sistema perdurou até 1759, quando o Marquês de Pombal o extinguiu. ( Pombal foi primeiro-ministro de Portugal de 1750 a 1777)

Em 1762 o Estado do Brasil foi elevado a categoria de vice-reinado governado por um vice-rei subordinado a um Conselho Ultramarino.

Em 1763 a capital do Estado do Brasil foi transferida de Salvado na Bahia para a cidade do Rio de Janeiro.

O fim do período colonial deu-se com a Chegada de D. João VI ao Brasil em 1808 e por decreto assessorado pelo brasileiro José Maria Lisboa, Visconde de Caiuru, no dia 28 de janeiro de 1808 abriu os portos às nações amigas, derrubando três séculos de pacto colonial.

A Colônia do Brasil estava fundamentada básicamente em três suportes de sustentação:

bulletlatifúndio
bulletmonocultura e 
bullettrabalho escravo

Navio Negreiro
A Sociedade Patriarcal

A família era tudo, nada menos. Seguindo a tradição da época em que os portugueses se instalaram no Brasil, a família não se compunha apenas de matido, mulher e filhos. Era um verdadeiro clã, induindo a esposa, eventuais (e disfarçadas) concubinas, filhos, parentes, padrinhos, afilhados, amigos, dependentes e ex-escravos. Uma imensa legião de agregados submetidos à autoridade indiscutível que emanava da temida e venerada figura do patriarca. Temida, porque possuía o direito de controlar a vida e as propriedades de sua mulher e filhos; venerada, porque o patriarca encarnava, no coração e na mente de seus comandados, todas as virtudes e qualidades possíveis a um ser humano.

"Era o patriarca de um grupo de famílias. (...) Era o Pai, o Sogro, o Avô; mas, antes de tudo, o Amigo e o Conselheiro. Jamais alguém ousou desrespeitá-lo, no lar ou fora dele. (...) Encamava a sabedoria e ninguém dele se aproximava sem que, de imediato, se sentisse envolvido pela confiança que irradiava de sua marcante personalidade". (Aroldo de Azevedo, referindo-se ao fazendeiro Ignácio Cochrane.)
E quem era esse patriarca orgulhoso, a quem se submetiam tudo e todos? Era o grande senhor rural, proprietário de terras incomensuráveis, onde se plantavam as bases da economia brasileira: café, cacau, cana-de-açúcar e outras grandes lavouras. Era ele que desde os tempos coloniais e imperiais presidia a única ordem perfeita e íntegra da sociedade brasileira: a organização
familiar. Não havia comunidades sólidas, sindicatos, clubes ou outros órgãos que congregassem pessoas de interesses similares. A família, a grande família patriarcal, ocupava todos esses espaços. E o que não fosse provido por ela representava um corpo estranho e indesejável. O próprio Estado, que enquanto ordem pública deveria estar acima das questões familiares, esbarrava nestas quando necessitava intervir. Mas os governantes sabiam que essa família exclusivista, dobrada sobre si mesma e solidamente organizada, era, por sua vez, o sustentáculo do Estado, pois impedia que a população, tão escassa e quase nômade, se pulverizasse neste imenso país.

A famflia patriarcal era, portanto, a espinha dorsal da sociedade e desempenhava os papéis de procriação, administração econômica e direção política. Na casa-grande, coração e cérebro das poderosas fazendas, nasciam os numerosos filhos e netos do patriarca, traçavam-se os destinos da fazenda e educavam-se os futuros dirigentes do país. Cada um com seu papel, todos se moviam segundo intensa cooperação. A unidade da família devia ser preservadá a todo custo, e, por isso, eram comuns os casamentos entre parentes. A fortuna do clã e suas propriedades se mantinham assim indivisíveis sob a chefia do patriarca.

E a família patriarcal era o mundo do homem por excelência. Crianças e mulheres não passavam de seres insignificantes e amedrontados, cuja maior aspiração eram as boas graças do patriarca. A situação de mando masculino era de tal natureza que os varões não reconheciam sequer a autoridade religiosa dos padres. Assistiam à missa, sem a menor manifestação daquela humildade cristã do crente (própria, aliás, das mulheres), assumindo sempre ares de proprietário da capela, protetor da religião, bom contribuinte da Igreja. Jamais um orgulhoso varão se dignaria de beijar as mãos de um clérigo, como o faziam sua esposa e filhas. Nesse universo masculino, os filhos mais velhos também desfrutavam imensos privilégios, especialmente em relação a seus irmãos. E os homens em geral dispunham de infinitas regalias, a começar pela dupla moral vigente, que lhes permitia aventuras com criadas e ex-escravas, desde que fosse guardada certa discrição, enquanto que às mulheres tudo era proibido, desde que não se destinasse à procriação.
Por mais enaltecido que fosse o papel de mãe, um obscuro destino esperava as mulheres. Uma senhora de elite, envolta numa aura de castidade e resignação, devia procriar e obedecer. Com os filhos mantinha poucos contatos, uma vez que os confiava aos cuidados de amas-de-leite, preceptoras e governantas. Sobravam-lhe as amenidades, as parcas leituras e a supervisão dos trabalhos domésticos. Até mesmo as linhas de parentesco, tão caras à sociedade patriarcal, só se tomavam "efetivas" quando provinham do homem. Desse modo, a mulher perdia a consangüinidade de sua própria família de origem, para adotar a do esposo.

"A pátria é a família amplificada. E a família, divinamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício. É uma harmonia instintiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas. (...) Multiplicai a família, e tereis a pátria". (Ruy Barbosa)

Até meados do século XIX, a casa-grande era o modelo perfeito do fechado mundo patriarcal. A reduzida elite das grandes cidades - comerciantes, profissionais liberais e altos funcionários públicos - transportava esse modelo para os austeros sobrados urbanos: a mulher restringia-se às quatro paredes de sua casa, supervisionando o trabalho doméstico dos escravos (que se alojavam no andar térreo), como a confecção de roupas e a destilação de vinho.

Nos primeiros anos da República, a família patriarcal começa a mostrar sinais de fraqueza. Não que ela fosse incompatível com o novo regime. São as cidades, as novas profissões, a luz elétrica, os bondes, os imigrantes, as lojas comerciais, as indústrias, que ameaçam o patriarca.
Antes, ele podia manter seu extenso clã no mais completo isolamento. Seus agregados, famílias inteiras submetidas a ele, podiam ser ricos ou pobres, não importava, pois eram todos igualmente da grande Família. Trabalhavam em suas terras e obedeciam. Pouco a pouco, o patriarca é obrigado a se relacionar com os outrora indesejáveis elementos "de fora". Os filhos serão matriculados na Faculdade de Direito. Um dia, toma-se mais conveniente que seu primogênito se case, não mais com aquela obscura priminha remediada, mas com a filha de um riquíssimo banqueiro da capital. Ele próprio é forçado a ampliar seus negócios nos centros urbanos, para que seu patrimônio não sucumba à nova maré do progresso. Ele irá aplicar dinheiro em outras atividades, além da fazenda. Chega também o momento de abandonar a casa-grande e se mudar para um palacete na Capital. Talvez seja possível levar junto um parente ou outro, mas o grosso dos leais agregados fica por lá mesmo. E se tornam os "primos pobres" do interior, que, com o tempo, serão cada vez mais pobres e menos primos.
O império do patriarca se reduz. Ou, por outra, muda de natureza: agora ele é um industrial, um pioneiro no melhor estilo capitalista, um banqueiro, um grande negociante e também um fazendeiro.

"O mundo patriarcal se resumia na austera casa-grande, cercada de cafezais e terreiros, onde ecoavam as ordem dos capatazes e o burburinho dos escravos. Com os novos tempos, esse mundo irá se ampliar - e o patriarca se mudará com sua família para um palacete na Capital."

Homem que se prezasse era bem-falante. A oratória compunha a personalidade masculina do mesmo modo que o fraque, o chapéu-coco, o cravo na lapela e o soberbo bigode - tudo isso acompanhado, naturalmente, de um título de doutor.
"Seu Doutor" integrava o restrito exercito de bacharéis formados pelas faculdades de Direito, Engenharia e Medicina. Todas elas, e não só as de Direito (como geralmente se supõe), são terreno assolado pela retórica, a arte de bem falar. Isto é fácil de entender, já que o persuadir, o convencer e o dissuadir representavam as chaves mestras da política, do mando, do governo, do controle. E eram os bacharéis que assumiam as posições de controle no, Estado, nos negócios e na família.
Com eles, a arte da retórica transbordou os paços acadêmicos e as assembléias políticas para invadir todos os recantos da sociedade. Um retrato irônico da oratória brasileira durante a Belle Époque foi feito pela revista Kósmos, em 1906: "Vede-o, austero, severo, sério, braço esticado no ardor do improviso, olhos cerrados pela contenção do espírito, afirmando a sua dedicação a um partido ao qual talvez tenha que trair amanhã, ou afirrnando o seu nobre desejo de morrer pela Pátria, quando talvez o seu único sincero desejo seja o de repetir a galantina de macuco que foi servida há pouco... A oratória política de sobremesa é hoje uma instituição indestrutível. É em banquetes que os presidentes eleitos apresentam a sua plataforma, é em banquetes que se fundam partidos, e é em banquetes que se fazem e desfazem ministérios. São banquetes fartos, magníficos, em que se gasta dinheiro a rodo: e isso não admira, porque neles é sempre o povo quem paga o pato... ou o peru. O champagne espuma nas taças. Os convivas, encasacados e graves, fingem prestar atenção ao programa político do orador, mas estão realmente namorando o prato de fios d'ovos... E o orador invoca os 'fundadores da nossa nacionalidade', os 'sagrados princípios de Oitenta e Nove', e declara solenemente que 'o Brasil (...) será em breve, graças a uma política enérgica, o primeiro país do mundo! porque ele, orador, está disposto a dar por isso a sua tranqüilidade, o seu saber, o seu estudo, a sua saúde, a sua vida!' E senta-se suado e comovido, dizendo ao vizinho da esquerda: 'Que tal? falei bem? passe-me aquele prato de marrons-glacés...' "

Existiam, no entanto, numerosos outros tipos de oradores, que sempre arrumavam um jeito de dar o seu toque pessoal às ocasiões que se apresentavam.
"Aqui vos apresento o orador dos grêmios literários e dos clubs (...). E moço, pálido, elegante e poeta. Manda versos aos jornais, e tem sempre cinco ou seis namoradas. E, de todos os sócios do club, o que mais docemente sabe falar ao coração das moças. (...) Tem um madrigal para cada menina; e recita versos (...) entre uma polca e uma valsa, encostado ao piano, com os olhos pregados no teto Ja sala e um sombrio desengano refletido na face. (...) A meia-noite, quando o presidente do club convida as senhoras para a 'modesta ceia' (...), retorcendo o curto bigode frisado, o orador tempera a garganta com um cálice do Porto, e enceta o seu infalível brinde à mulher-mãe, à mulher-esposa, à mulher-filha, essa trilogia divina que é a trípode do amor e o triângulo da Crença!' O brinde é sempre o mesmo, e nunca deixa de comover o auditório (... ). Há, porém, ainda o orador dos Grupos e dos Cordões, que é do mesmo gênero, mas de espécie diferente. Este é mais pernóstico, e mais art noveau, no trajar e no falar, como janota e como orador.
(...) E o orador das funçanatas alegres, em que o piano alterna com o violão e a polca militar com a modinha. É o Lúcifer das Eloás de cabelo frisado e flor atrás da orelha. É o Don Juan das Elviras de vestido de chita e óleo-oriza no cabelo... A sua imensa gravata de seda vermelha em laço de borboleta é todo um poema; a sua gaforinha lustrosa, dividida em 'pastas', é todo um programa.
A bebida do orador político é o chanlpagne; a do orador dos clubs é o vinho do Porto; a deste é a cerveja. No fim da ceia, ei-lo que se levanta inspirado: fixa o punho esquerdo sobre a mesa, mete a mão direita no bolso da calça e solta o verbo. (...)
"E admirai agora o 'orador dos aniversários', aquele que bebe à saúde do aniversariante e da sua digna família. E sempre um amigo íntimo da casa, um papa-jantares, um bom moço, que namora a filha mais velha ou ocupa o lugar de guarda-livros do pai. Tem doçuras de mel na palavra, e nunca se esquece de dizer que o momento é solene, que sua voz é débil, e que a dona da casa é um modelo de virtudes. E, assim que principia a ceia, ainda no meio da canja saborosa, já a dona da casa, que não prescinde de receber o título de 'modelo de virtudes', diz com amabilidade: 'Queremos ver hoje o seu brindis, seu Maneco!' E seu Maneco, obsequiador: 'De que ousadias. não serei eu capaz para cumprir suas ordens, excelentíssima?!.


BIBLIOGRAFIA:

bulletHistória do Brasil, de Francisco Assis Silva, Editora Moderna
bulletHistória do Brasil, de Osvaldo Rodrigues de Souza, Editora Ática
bulletHistória da América, de Raymundo Campos, Atual Editora
bulletHistória do Brasil, de José Dantas, Editora Moderna
bulletHistória do Brasil de Nelson Piletti, Editora Ática
bullet

História do Brasil, de Elian Alabi Lucci, Editora Saraiva

bulletHistória das Civilizações, de Fernando Saroni e Vital Darós
bullet

História Martins, 8 , Editora FTD

 

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Última atualização: quarta-feira, 02 de junho de 2010